Sexta-feira, 16 de outubro
Olá amigos. Para essa semana, estava planejando escrever um grande artigo de jornalismo investigativo. Em 2021, os criadores de South Park, Trey Parker e Matt Stone, anunciaram que lançariam 14 especiais da série no Paramount+. Um total de 7 especiais foram lançados entre 2021 e 2023. Desde então, sempre me pego pensando “onde foram parar os episódios restantes?” O problema é que meu plano foi arruinado dois minutos após entrar no Reddit, pois descobri que esses episódios só foram feitos porque a HBO Max tinha os direitos de exibição da série, então foi uma maneira de burlar o acordo e lançar episódios no Paramount+. Alguns anos depois os direitos voltaram para a Paramount e o restante dos especiais foi cancelado. Então fiquei sem conteúdo para o blog, porém, se algum de vocês também tinha essa dúvida, aí está a resposta.
Agora e para sempre, Lara Jean
Talvez seja porque sou uma pessoa imatura, mas sempre fiquei incomodado com o fato de muitas pessoas não gostarem de musicais. Comecei a pesquisar bastante sobre o assunto ano passado, queria entender porque eles incomodam tanto e pretendia escrever um artigo sobre, mas acabei desistindo. Até que me deparei com um tweet alguns dias atrás que me fez voltar a pensar no assunto. Sinto que, muito mais do que a suposta falta de realismo (musicais são realistas, pelo menos no sentido emocional), isso acontece porque toda a nossa cultura hoje em dia é irônica. Tudo é sobre metalinguagem e tem que estar na frente do espectador, e musicais são um um dos poucos tipos de arte que ainda são completamente sinceros (com exceção de Spamalot). Então se você é uma pessoa extremamente fechada, é claro que você vai ficar desconfortável.
As comédias românticas também são assim, e é exatamente por isso que amei Agora e Para Sempre, Lara Jean. Num mundo onde tudo é autoconsciente, foi maravilhoso acompanhar uma história tão honesta. Esse livro é muito mais inteligente do que deveria ser, e adoro os pequenos momentos onde a visão romantizada que a Lara Jean tem da vida entra em conflito com a realidade, como quando ela não consegue entrar na faculdade que queria. A Jenny Han trata os problemas de adolescentes como problemas reais e com sensibilidade, usando os tropos do gênero ao mesmo tempo que os desconstrói. Fiquei muito surpreso com o fato de que todos os personagens tem um arco bem desenvolvido e no quão tristes as últimas páginas são.
A Queda 2 - No Limite
Quando alguém reclama sobre personagens tomando decisões questionáveis em filmes, nós costumamos dizer “retratar não é apoiar”. Os filmes da franquia A Queda são um mistério para mim, porque não consigo entender se eles estão retratando ou apoiando. A Shiloh é uma personagem completamente absurda que manipula os amigos e coloca as vidas deles em risco porque, segundo ela, todo mundo precisa enfrentar seus medos, mas os filmes ainda querem que a gente goste dela. No final do filme, após passar dias presa num monte na Tailândia, a irmã dela faz uma parte de uma trilha sem a corda de segurança, e essa cena é executada como se fosse um momento de grande evolução da personagem.
E esta nem é a parte mais absurda desse filme. A Queda 2 é focado na irmã de Shiloh, Luce. Shiloh ficou famosa após os eventos do primeiro filme, e uma amiga dela convida Luce para fazer a trilha na Tailândia como forma de honrá-la. A partir desse momento, as duas tomam as piores decisões possíveis - a trilha está fechada para o público por ser perigosa demais, a polícia está fazendo várias blitzes por causa de vários traficantes que costumam tentar contrabandear drogas na fronteira. Moradores locais aconselham elas a não fazer o percurso, mas elas seguem em frente com a ajuda de um guia turístico (um homem que gosto de descrever como David Corenswet da Shopee).
Desse modo, o filme segue mais ou menos a fórmula do primeiro, mas sem a sofisticação dele. Você consegue notar a tela verde em praticamente todos os planos. Uma reviravolta no final do segundo ato parece existir apenas porque o primeiro filme também teve uma. Outra reviravolta nos minutos finais simplesmente não funciona porque você consegue prevê-la desde o início do filme, e a cena final parece ter saído de um filme da Marvel, uma maneira patética de preparar o espectador para uma sequência.
Mesmo com essas falhas, achei o filme bastante envolvente, e se você tiver medo de altura como eu, algumas sequências te deixarão bem nervoso. Muitas pessoas não vão achar que vale a pena pagar para ver esse filme no cinema, mas é o tipo de entretenimento simples que funciona comigo no mês de outubro.
Filme original Tubi da semana
Buzzkill é Scream queens com A morte lhe dá parabéns, filmado com a fotografia de Euphoria e estrelando a Brec Bassinger no papel de Kristin Chenoweth. Gostaria que a direção fosse tão boa quanto o roteiro, mas é compreensível por causa da falta de orçamento. A Nora é a melhor final girl em anos, e ver sua descida à loucura é maravilhoso. O medo de matar personagens e um cliffhanger forçado para que o filme tenha uma sequência tiram um pouco da graça, mas esse filme é o melhor slasher do ano.
Música de musical da semana